O catecumenato é um processo de iniciação, cujo ponto de partida é o encontro pessoal com Jesus Cristo e cujo ponto de chegada é a inserção, como discípulo e missionário, no mistério pascal de Cristo – liturgicamente celebrado – e na comunidade cristã, enriquecida por uma rica variedade de carismas, toda ela a serviço da missão.
O método catecumenal oferece uma formação integral (encontro com Jesus Cristo, conversão, discipulado, comunhão, missão) a partir da interação
catequese ↔ liturgia ↔ conversão da vida, ou seja, o aprofundamento do encontro com o Cristo vivo, mediante a acolhida e o encontro com os irmãos e irmãs de fé, a meditação da Palavra, a celebração do mistério ao longo do ano litúrgico, buscando responder, pela graça, aos apelos à permanente conversão. (Cf. DAp, 278)
A metodologia catecumenal articula três componentes básicos:
1 - uma catequese apropriada, em etapas, ritmada pelo ano litúrgico, apoiada em celebrações da Palavra, de modo que os candidatos cheguem à íntima percepção do mistério da salvação e à adesão pessoal e plena ao mesmo;
2 - uma articulação entre anúncio do mistério, ação celebrativa e vida, de modo que a graça, presente e atuante na Palavra anunciada, na celebração e na vida, vá edificando o cristão;
3 - as disposições interiores, em que se debatem forças contraditórias, em meio às quais o candidato vai adquirindo maturidade espiritual: processo de conversão, que, de um lado, significa luta contra o pecado e, do outro, crescimento na fé, na esperança e na caridade.
Um conjunto de ritos e ensinamentos orais, visando realizar uma transformação do estatuto religioso e social do iniciado.
No final do período de provas, o iniciado goza de uma existência totalmente diferente da que possuía antes:
TRANSFORMA-SE NOUTRA PESSOA.
Catecumenato é:
- Processo progressivo de crescimento na fé;
- Itinerário prolongado de preparação e compreensão vital da fé;
- Acolhimento e preparação no mistério da fé, da vida nova revelada em Cristo e celebrada na liturgia
Catecúmeno é: aquele que deve ser iniciado na
1° Experiência do mistério do Cristo e da Igreja
2° Explicação numa vivência marcada pelo rito,
através de uma catequese chamada “Mistagógica” (que inicia no mistério)
Cada povo busca, através dos rituais, relacionar-se com a divindade que sustenta a vida do universo
Toda nossa vida está entremeada de rituais - aniversários, formaturas, velórios etc.
Na religião cristã, o batismo, a crisma, o matrimônio..., é que introduzem o sujeito-cristão em uma outra fase de sua vida.
Como na linguagem e simbolismo dos mitos, os rituais nos ajudam a representar o indizível
Os rituais ajudam-nos a suportar melhor a passagem de um estado de ser para outro, introduzindo-nos em uma nova fase, posição social, lugar, idade etc.
Para se passar do estado civil de solteiro ao de casado, é necessário o ato do casamento, portanto um ritual de passagem.
O casamento requer toda uma preparação ritualística, tanto o civil como o religioso: papéis, proclamas, celebração e, muitas vezes, os festejos Os rituais de passagem são transposições de uma borda à outra, ou seja, de uma posição para outra. E significa também um momento da decisão.
Decidir pressupõe responsabilidade e também ter que deixar algo para trás. Por isso, muitas vezes esses rituais, essas decisões vêm acompanhadas de sofrimento. Por um lado significa perder, por outro ganhar.
VEJAMOS O EXEMPLO DO RITUAL DO BATISMO PRATICADO PELA IGREJA:
Numa linguagem riquíssima, usando os sinais, a Igreja associou o Sinal da Cruz à Unção na fronte, ouvidos, narinas e peito.
A ação na fronte dos batizandos era para eles serem libertados da vergonha que o primeiro homem transgressor levou por toda a parte e para que de face descoberta eles pudessem contemplar a glória do Senhor.
Nos ouvidos, para que eles pudessem ouvir a Voz do Senhor. Nas narinas para ao receber o divino unguento pudesse dizer: “Somos para Deus, entre os que se salvam, o bom odor de Cristo. No peito, a fim de que, tendo revestido a couraça da justiça, pudessem resistir aos artifícios do diabo.
Usa a imersão por 3 vezes no Batismo, como sinal semelhante ao que foi dado por Jesus, quando lhe pediram um sinal. Ele disse que passaria 3 dias no interior da terra, assim como Jonas havia passado três dias no interior do peixe. A imersão era realizada por três vezes para significar o sepultamento de três dias de Cristo.
O Ósculo Santo era sinal da reconciliação, pois lembrava ao batizando o que Cristo falou acerca do momento em que ele fosse levar a sua oferta ao altar e se lembrasse de que alguém tinha alguma coisa contra a sua vida, deveria primeiro, reconciliar-se com o seu irmão.
O Ósculo da Paz é o Ósculo da Reconciliação e, é por esta razão, que ele era apresentado como santo.
Na utilização dos símbolos, a Igreja fez uso do Despojamento das Vestes para simbolizar a imagem do despojamento do velho homem, bem como a Cristo em Sua nudez na cruz. Por Sua nudez despojou os principados e as potestades e no lenho triunfou corajosamente sobre eles.
O rito, ao envolver a pessoa por inteiro, marca mais profundamente do que uma simples instrução e interioriza o que foi aprendido e proclamado, realçando a dimensão do compromisso.
O modelo de Iniciação à Vida Cristã apresentada pela Igreja é o de inspiração catecumenal.
O que é isso? O processo de transmissão da fé dos primeiros cristãos tornou-se iniciático em sua metodologia:
- Descobrir o mistério da pessoa de Jesus e os mistérios do Reino,
- Assumir os compromissos de seu caminho,
- Viver a ascese requerida pela moral cristã...
(exercício prático que leva à efetiva realização da virtude)
Ascese é uma palavra grega que significa simplesmente exercício. Religiosamente, comporta esforços, renúncias e penitências em vista da perfeição. Fazer ascese é exercitar-se para adquirir musculatura espiritual e poder percorrer com maior desenvoltura os caminhos do bem.
Para participar do mistério de Cristo Jesus era preciso passar por uma experiência impactante de transformação pessoal e deixar-se envolver pela ação do Espírito.
O modelo do itinerário catecumenal, em sua dimensão litúrgica, é o RICA.
Ele possibilita a elaboração de itinerários diversos, de acordo com as necessidades de cada realidade,
É um itinerário cristocêntrico e gradual, impregnado do Mistério Pascal.
ITINERÁRIO CATECUMENAL CONFORME O RICA
- pré-catecumenato (1º tempo)
Rito de admissão ao catecumenato (1ª etapa)
- catecumenato (2º. Tempo)
Celebração da eleição/inscrição (2ª etapa)
- purificação e iluminação (3º. Tempo)
Celebração dos Sacr. da Iniciação (3ª etapa)
- Mistagogia (4ºTempo).
PRÉ-CATECUMENATO
É o período de evangelização:
Tempo destinado para que seja amadurecida a vontade sincera de seguir a Cristo.
Com a ajuda de um Introdutor e a graça de Deus há uma conversão inicial, através da qual a pessoa se sente chamada a afastar-se do pecado e a mergulhar no mistério do amor de Deus.
CATECUMENATO
Espaço de tempo em que os candidatos recebem formação e exercitam-se na prática da vida cristã.
Elementos:
- Catequese
- Prática da vida cristã
- Ritos litúrgicos
- Cooperação ativa para a evangelização e edificação da Igreja.
Importância das Celebrações da Palavra
Finalidade:
- Gravar nos corações o ensinamento recebido quanto aos mistérios de Cristo,
- Levar a saborear as formas e as vias de oração;
- Introduzir aos poucos na liturgia da comunidade.
Roteiro: Canto, leituras e salmos responsoriais, reflexão, ritos conclusivos (exorcismo menor, bênçãos ou, se oportuno, rito da unção: para os catecúmenos).
TEMPO DA PURIFICAÇÃO - DA ILUMINAÇÃO
Período destinado à intensa preparação espiritual, a fim de purificar a mente e o coração do “eleito” para iluminá-lo com a consciência mais profunda de Cristo.
MISTAGOGIA
Caminho de aprofundamento da experiência sacramental e progressiva inserção em Cristo e na Igreja.
Os responsáveis pelo processo...
(RICA 41-48)
Comunidade: deve acolher e ajudar os candidatos e os catecúmenos durante todo o processo da iniciação;
Introdutor (a): Conhece, ajuda, acompanha com zelosa atenção e é testemunha dos candidatos;
Padrinho (madrinha): acompanha o candidato no dia da eleição, na celebração dos sacramentos e no tempo da mistagogia;
Bispo: estabelece e dirige o catecumenato em toda a diocese;
O Presbítero: presta assistência pastoral e pessoal aos catecúmenos;
O Diácono: exerce sua função no desenvolvimento do catecumenato;
O Catequista: importante para o progresso de crescimento dos catecúmenos e o desenvolvimento da comunidade; deve ter parte ativa nos ritos.
Nas etapas (grandes celebrações da passagem de um tempo para o outro) são feitas as entregas:
- Palavra de Deus
- Símbolo da Fé (Credo)
- Oração do Senhor... e outras.
Outros rituais: unções, exorcismos, escrutínios.
Não conseguindo renovar todo o modelo tradicional de iniciação cristã, será possível, aos poucos, dar um caráter mais catecumenal à catequese, para formar discípulos missionários.
Para que uma catequese seja de inspiração catecumenal precisa:
- Ser cristocêntrica, proporcionando um verdadeiro encontro com Jesus, sua obra e sua missão;
- Ser bíblica, promovendo a leitura orante da Palavra e acompanhando o Ano Litúrgico, centrado na Vigília Pascal
- Ser querigmática, promovendo o anúncio alegre e dinâmico das realidades principais de nossa fé;
- Ser mais celebrativa e orante, propiciando momentos especiais de ritos e celebrações que proporcionarão a experiência que formará a espiritualidade cristã;
- Ter como meta levar os iniciantes ao encontro com Jesus, à conversão de vida, ao discipulado, à inserção comunitária, à celebração da fé e à missão;
- Ir além da preparação aos Sacramentos da iniciação cristã, visando uma catequese permanente
COMPARE COM A CATEQUESE EM SUA COMUNIDADE:
ONDE ESTÃO NOSSOS PONTOS FORTES? E OS FRACOS?
COMO QUE A CATEQUESE VAI FAZER ISTO ACONTECER?
• Começar pelo anúncio alegre e dinâmico da Boa Nova de Cristo e das realidades principais de nossa fé (querigma) aos iniciados e suas famílias e continuar com uma catequese Cristocêntrica, Bíblica e missionária.
• Confrontar a realidade vivida com a Palavra, levando ao crescimento e amadurecimento da fé: unir o livro da vida com o livro da Bíblia.
• Iniciar ao rito e às celebrações litúrgicas, à vida de oração e contemplação, ajudando o catequizando e sua família a fazer a experiência dos símbolos e gestos celebrados. É preciso ser iniciado a essas realidades maravilhosas do mistério (Jesus Cristo, Igreja, sacramentos), através de experiências que marcam profundamente a pessoa.
• Realizar ritos e celebrações para marcar a passagem das etapas da iniciação à vida cristã, por exemplo: início da preparação, entregas do Pai-Nosso, do Creio, da Palavra, da cruz...
• Acompanhar o ano litúrgico para que haja maior vivência eclesial
• Conduzir o iniciado à participação plena, ativa e frutuosa na liturgia. Durante todo o percurso catequético, pouco a pouco, vai-se descobrindo a linguagem dos ritos, símbolos, gestos e posturas utilizados numa celebração.
• Desenvolver uma Metodologia que combina o anúncio da fé, com a celebração e a constante conversão do candidato, para que aconteça a integração entre fé e vida, que é a meta tão almejada da catequese renovada: ver, julgar, agir e celebrar, através do diálogo, reflexão e oração.
A INICIAÇÃO CRISTÃ EXIGE A METODOLOGIA DO “VINDE E VEDE”
REFERÊNCIAS:
DIRETÓRIO NACIONAL DE CATEQUESE
DOCUMENTO DE APARECIDA
REVISTA DE CATEQUESE
RITOS E CELEBRAÇÕES, Dr. Alberto Matos Professor, Pastor, Administrador at Florida Christian University - Orlando, FL - USA
METODOLOGIA DE INSPIRAÇÃO CATECUMENAL, Pe. Antônio José de Almeida, 3ª. SEMANA BRASILEIRA DE CATEQUESE
A NECESSIDADE DOS RITOS, Eliomar Ribeiro, padre jesuíta, Mestre em Teologia Pastoral, assessor da PJ, pároco na periferia de Fortaleza - CE
LELO, Antônio Francisco. A Iniciação Cristã -Catecumenato, dinâmica sacramental e testemunho,5a. ed. São Paulo, Paulinas, 2005.
LELO, Antonio Francisco, Catequese com estilo catecumenal. São Paulo, Paulinas, 2008.
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